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  • Crítica Tela Quente de 11/01/2021 - Filme dupla explosiva com audiodescrição
    Publicado por Pedro Henrique.

    A tv globo exibiu no tela quente as 23h15o filme Dupla Explosiva (2017) com o recurso da audiodescrição.
    - O diretor do filme é o australiano Patrick Hughes, que retorna após Os Mercenários 3 (2014). Se em seu último trabalho o tom da produção evocava as produções de ação dos anos 80, em Dupla Explosiva há um certo resquício no final desta década, mas com uma aura constante que remete ao cinema de ação dos anos 90. Tanto o diretor quanto o roteirista Tom O´Connor (Fogo Contra Fogo de 2012) estão em casa neste gênero e desta forma, temos um filme que possui boas sequências de ação, protagonistas interessantes e bastante humor.
    O filme já começa estabelecendo quem é um dos protagonistas (Ryan Reynolds) e também é ágil em apresentar a sua missão, colocando Bryce lado a lado com seu antigo antagonista(Sam uel L. Jackson). A dinâmica em dupla não é nenhuma novidade para filmes do gênero. O que determina nossa satisfação com este tipo de produção é a química entre os personagens. Aqui isto acontece de forma bastante acertada, o que nos faz até mesmo relevar algumas inconsistências no roteiro, compensadas por cenas de ação e comédia que nunca pendem apenas para um lado.
    Não há aqui um desenvolvimento de arcos dramáticos mais profundos e a proposta é mover os personagens de um ponto ao ponto cumprindo um objetivo em comum, entregando ação e risadas na medida certa. Mas em contrapartida, abre espaço para uma breve discussão, quando um dos personagens questiona se quem mata os bandidos é pior do que aqueles que protegem os criminosos, em uma alusão ao assassino de aluguel Kinkaid e seu guarda-costas Bryce.
    As cenas de ação utilizam belos cenários da Europa como pano de fundo, o que inclui tiroteios, perseguições em alta velocidade e muitas discussões entre eles. Há alguns cortes desnecessários e algumas sequências bem genéricas, mas a maioria delas funcionam e são bem divertidas. As piadas são constantes no longa e surgem para que Kinkaid e Bryce ofendam um ao outro ou para resgatar o clima do filme, quando ele insinua ir para um lado mais sério.
    Depois de brilhar em Deadpool, Ryan Reynolds assumiu de vez a veia cômica, embora aqui ele tenha uma interpretação mais contida. Fazendo o tipo mais cauteloso e extremamente metódico, ao ver seus métodos questionados temos os momentos mais engraçados do filme. É isso justamente que abre espaço para que Samuel L. Jackson seja o que há de melhor no filme. Sim, Kinkaid é imprudente e Jackson dá suas impagáveis risadas e entrega bem as cenas de ação. No fim das contas Jackson atua como ele mesmo e se você é fã do veterano ator, provavelmente irá gostar dele aqui.
    No elenco de apoio temos Gary Oldman na pele do ditador Dukhovich. O ator nunca decepciona em seus papéis e justamente por isso parece destoar um pouco do tom do filme – e dos demais personagens – ao dar vida ao pscicopata líder do leste europeu. Além disso, não há muito desenvolvimento ou motivações para conhecermos melhor sua história, mas dentro do que o filme se propõe isso não chega a ser um problema.
    Já Salma Hayek é um ponto positivo e mesmo com pouco tempo de tela, não decepciona como a latina de sangue quente Sonia, esposa de Kinkaid e responsável pelos momentos mais engraçados do filme. Outra personagem feminina que atua bem é Elodie Yung, como a policial Amelia Roussel que move a trama de maneira importante, embora ausente de uma parte da projeção. Seu passado amoroso com Bryce é explorado mas de maneira que isto não seja o centro da ação, abrindo espaço para a construção de suas próprias motivações.
    Misturando conceitos oriundos de filmes de assassinos de aluguel e guarda-costas, ao trazer uma dupla improvável e carismática para a tela, Dupla Explosiva é um filme divertido e brinca com os clichés do gênero, com cenas de ação que agradam e que trazem caos e humor em proporções generosas. O longa não pretende se levar a sério e tenta lembrar disso a todo instante, sem precisar cair no erro de ser algo caricato, embora pareça datado. É uma alternativa no gênero da ação, sobretudo se você busca algo que não seja necessariamente denso ou excessivamente genérico.